Estou cansado de ser vilipendiado, incompreendido e descartado
Quem diz que me entende nunca quis saber
Aquele menino foi internado numa clínica
Dizem que por falta de atenção dos amigos, das lembranças
Dos sonhos que se configuram tristes e inertes
Como uma ampulheta imóvel, não se mexe, não se move, não trabalha.
E ele está trancado no banheiro
E faz marcas no seu corpo com seu pequeno canivete
Deitado no canto, seus tornozelos sangram
E a dor é menor do que parece
Quando ele se corta ela se esquece
Que é impossível ter da vida calma e força
Viver em dor, o que ninguém entende
Tentar ser forte a todo e cada amanhecer.
Um de seus amigos já se foi
Quando mais uma ocorrência policial
Ninguém entende, não me olhe assim
Com este semblante de bom-samaritano
Cumprindo o seu dever, como se eu fosse doente
Como se toda essa dor fosse diferente, ou inexistente
Nada existe pra mim, não tente
Você não sabe e não entende
E quando os antidepressivos e os calmantes não fazem mais efeito
Ele sabe que a loucura está presente
E sente a essência estranha do que é a morte
Mas esse vazio ele conhece muito bem
De quando em quando é um novo tratamento
Mas o mundo continua sempre o mesmo
O medo de voltar pra casa à noite
Os homens que se esfregam nojentos
No caminho de ida e volta da escola
A falta de esperança e o tormento
De saber que nada é justo e pouco é certo
E que estamos destruindo o futuro
E que a maldade anda sempre aqui por perto
A violência e a injustiça que existe
Contra todas as meninas e mulheres
Um mundo onde a verdade é o avesso
E a alegria já não tem mais endereço
Ele está trancado no seu quarto
Com seus discos e seus livros, seu cansaço
Eu sou um pássaro
Me trancam na gaiola
E esperam que eu cante como antes
Eu sou um pássaro
Me trancam na gaiola
Mas um dia eu consigo existir e vou voar pelo caminho mais bonito
Eu só tem 30 anos...
O homem culto é apenas mais culto; nem sempre é mais inteligente que o homem simples.
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terça-feira, 6 de julho de 2010
segunda-feira, 17 de agosto de 2009
Abaixo a Manipulação!!!!! Chega!!!!!

Existem dois filmes antigos no Brasil que continuam proibidos e polêmicos.
O primeiro é "Amor, Estranho Amor" de 1982. Neste filme a jovem modelo Xuxa Meneghel aparece com carícias pra lá de íntimas com um menino. Para a futura rainha dos baixinhos, mais polêmico impossível. Claro que o filme foi proibido.
O segundo é "Muito Além do Cidadão Kane", de 1993. Trata-se de um documentário produzido pela BBC de Londres sobre a televisão brasileira, em especial a rede Globo e Roberto Marinho. Extremamente ácido, crítico e... polêmico. Claro que o filme foi proibido.
Lembro que assisti o documentário duas vezes em VHS em exibições públicas (e depois disto nunca mais assisti televisão da mesma forma). A primeira foi em uma aula de história da 8° série em 1994 (claro que o professor foi demitido por mostrar a verdade), a outra foi em um curso da UFRGS em 2003. Eram cópias da cópia da cópia do filme em uma qualidade bastante difícil e que tornava o documentário mais clandestino ainda. Mas mesmo assim uma preciosidade.
O fato é que hoje ambos os filmes estão disponíveis na internet com uma boa qualidade. O primeiro, como qualquer material pornô, pode ser encontrado em qualquer lugar.
O segundo pode ser baixado com facilidade no link que segue da Megaupload... http://www.megaupload.com/?d=T6BLCNEW para quem não sabe baixar é só digitar as letras que pede no canto superior direito; dar enter e esperar 45 segundos onde abrirá um botão download no canto inferior direito.
Chega de ser manipulado... eu acredito que a igreja Universal é um comércio... não a considero igreja em hipótese alguma... mas sou contra a manipulação de noticias que induzem o povo a tomar decisões que não condizem com a verdade... guardem um tempinho nem que seja no intervalo da M A R A V I L H O S A novela das 20:00 que começa as 21:00 'Caminho das Índias' que mostra uma índia que nunca existiu. Quem quer saber como é a India de verdade assista o filme 'Quem quer ser um milionário' mas esse assunto é para outro dia...
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segunda-feira, 6 de julho de 2009
Não diga.........
Eles não ligam pra gente
Skinhead
Sem cabeça
Todo mundo
Ficou louco
Situação
Frustração
Todo mundo
Alegação
No quarto
Nas notícias
Todo mundo
Comida de cachorro
Bang back
Morte chocante
Todo mundo
Ficou louco
Tudo que quero falar
É que eles não ligam pra gente
Bata em mim
Odeie-me
Você nunca vai
Me quebrar
Procure-me
Emocione-me
Você nunca vai
Me matar
Julgue-me
Processe-me
Todo mundo
Acabe comigo
Chute-me
Estraçalhe-me
Não diga que sou
Preto ou branco
Diga-me o que aconteceu com minha vida
Tenho uma mulher e dois filhos que me amam
Eu sou vítima da violência da polícia
Estou cansado de ser vítima do ódio
Você roubando o meu orgulho
Oh, pelo amor de Deus
Olho para os céus para cumprir a profecia
Liberte-me
Skinhead
Sem cabeça
Todo mundo
Ficou malvado
Trepidação
Especulação
Todo mundo
Alegação
No quarto
Nas notícias
Todo mundo
Comida de cachorro
Homem negro
Chantagem
Jogue o cara
Na cadeia
Diga-me o que aconteceu com meus direitos
Eu sou invisível? Porque você me ignora
Sua proclamação me prometeu liberdade
Estou cansado de ser vítima da vergonha
Eles estão acabando com minha reputação
Não acredito que essa é a terra de onde vim
Você sabe que eu na verdade odeio falar isso
O governo não quer enxergar
Mas se Roosevelt estivesse vivo
Ele não deixaria isso acontecer, não
Litígio
Bata em mim
Xingue-me
Você nunca vai
Me sujar
Ataque-me
Chute-me
Você nunca vai
Me pegar
Algumas coisas eles não querem enxergar na vida
Mas se o Martin Luther estivesse vivo
Ele não deixaria isso acontecer, não
Segregação
Não
Julgue-me certo ou errado
Eles me mantêm no inferno
Estou aqui pra te lembrar
Skinhead
Sem cabeça
Todo mundo
Ficou louco
Situação
Frustração
Todo mundo
Alegação
No quarto
Nas notícias
Todo mundo
Comida de cachorro
Bang back
Morte chocante
Todo mundo
Ficou louco
Tudo que quero falar
É que eles não ligam pra gente
Bata em mim
Odeie-me
Você nunca vai
Me quebrar
Procure-me
Emocione-me
Você nunca vai
Me matar
Julgue-me
Processe-me
Todo mundo
Acabe comigo
Chute-me
Estraçalhe-me
Não diga que sou
Preto ou branco
Diga-me o que aconteceu com minha vida
Tenho uma mulher e dois filhos que me amam
Eu sou vítima da violência da polícia
Estou cansado de ser vítima do ódio
Você roubando o meu orgulho
Oh, pelo amor de Deus
Olho para os céus para cumprir a profecia
Liberte-me
Skinhead
Sem cabeça
Todo mundo
Ficou malvado
Trepidação
Especulação
Todo mundo
Alegação
No quarto
Nas notícias
Todo mundo
Comida de cachorro
Homem negro
Chantagem
Jogue o cara
Na cadeia
Diga-me o que aconteceu com meus direitos
Eu sou invisível? Porque você me ignora
Sua proclamação me prometeu liberdade
Estou cansado de ser vítima da vergonha
Eles estão acabando com minha reputação
Não acredito que essa é a terra de onde vim
Você sabe que eu na verdade odeio falar isso
O governo não quer enxergar
Mas se Roosevelt estivesse vivo
Ele não deixaria isso acontecer, não
Litígio
Bata em mim
Xingue-me
Você nunca vai
Me sujar
Ataque-me
Chute-me
Você nunca vai
Me pegar
Algumas coisas eles não querem enxergar na vida
Mas se o Martin Luther estivesse vivo
Ele não deixaria isso acontecer, não
Segregação
Não
Julgue-me certo ou errado
Eles me mantêm no inferno
Estou aqui pra te lembrar
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sexta-feira, 22 de maio de 2009
V de Vladimir

"Voilà! À vista, um humilde veterano vaudevilliano, apresentado vicariamente como ambos vítima e vilão pelas vicissitudes do Destino. Esta visagem, não mero verniz da vaidade, é ela vestígio da vox populi, agora vacante, vanescida, enquanto a voz vital da verossimilhança agora venera aquilo que uma vez vilificaram. Entretanto, esta valorosa visitação de uma antiga vexação, permanece vivificada, e há votado por vaporizar estes venais e virulentos verminados vanguardeiros vícios e favorecer a violentamente viciosa e voraciosa violação da volição. O único veredito é a vingança, uma vendeta, mantida votiva, não em vão, pelo valor e veracidade dos quais um dia deverão vindicar os vigilantes e os virtuosos. Verdadeiramente, esta vichyssoise de verbosidade vira mais verbose vis-a-vis uma introdução, então é minha boa honra conhecê-la e você pode me chamar de V."
"Boa Noite, Brasil.
Permitam que eu primeiramente desculpe-me por esta interrupção.
Eu, como muitos de vocês, gosto de parar para apreciar os confortos da rotina diária, a segurança, a família, a tranqüilidade. Eu aprecio-os tanto quanto todo mundo. Mas no espírito de comemoração, daqueles eventos importantes do passado associados geralmente com a morte de alguém ou ao fim de algum esforço sangrento terrível, uma celebração de um feriado agradável, eu pensei que nós poderíamos marcar este 25 de Outubro, um dia que não é recordado, fazendo uso de algum tempo fora de nossas vidas diárias para sentar e ter um bom bate-papo. Há naturalmente aqueles que não querem que eu fale. Eu suspeito que agora mesmo, estão dando ordens aos telefones, e os homens com armas estarão aqui logo. Por que? Porque mesmo que a violência possa ser usada no lugar da conversação, as palavras reterão sempre seu poder. As palavras oferecem os meios ao povo, e para aqueles que escutarão, o anúncio da verdade. E a verdade é que há algo terrivelmente errado com este país, não há? Crueldade e injustiça, intolerância e depressão. E onde uma vez você teve a liberdade a objetar, pensar, e falar, você tem agora os censores e os sistemas de escutas que exigem seu conformidade e que solicitam sua submissão. Como isto aconteceu? Quem é responsável? Certamente há aqueles mais responsáveis do que outros, e serão repreendidos, mas a verdade seja dita outra vez, se você estiver procurando o culpado, você necessita olhar somente em um espelho. Eu sei porque você o fez. Eu sei que você estava receoso. Quem não estaria? Guerra, terror, doença. O medo começou melhor de você, e em seu pânico você tentou acreditar em cada presidente deste país. Que prometeu-lhe a ordem, prometeu-lhe a paz, e tudo que exijiu no retorno era seu consentimento silencioso, obediente.Na última noite eu procurei terminar esse silêncio. Na última noite eu mostrei aquela foto, para lembrar este país do que ele se esqueceu. Há mais de quarenta anos um grande cidadão desejou encaixar para sempre o 25 de outubro em nossa memória. Sua esperança era lembrar o mundo que a justiça e a liberdade são mais do que palavras, são perspectivas. Assim se você não vê nada, se os crimes deste governo permanecessem desconhecidos a você então eu sugeriria a você que passe o 25 de outubro em branco. Mas se você ve o que eu vejo, se você sente como eu me sinto, e se você procurar como eu procuro, então eu peço-lhe para estar ao meu lado em um ano, fora das portas do Parlamento, e juntos, nós daremos a todos um 25 de outubro inesquecível!!!"
"Boa Noite, Brasil.
Permitam que eu primeiramente desculpe-me por esta interrupção.
Eu, como muitos de vocês, gosto de parar para apreciar os confortos da rotina diária, a segurança, a família, a tranqüilidade. Eu aprecio-os tanto quanto todo mundo. Mas no espírito de comemoração, daqueles eventos importantes do passado associados geralmente com a morte de alguém ou ao fim de algum esforço sangrento terrível, uma celebração de um feriado agradável, eu pensei que nós poderíamos marcar este 25 de Outubro, um dia que não é recordado, fazendo uso de algum tempo fora de nossas vidas diárias para sentar e ter um bom bate-papo. Há naturalmente aqueles que não querem que eu fale. Eu suspeito que agora mesmo, estão dando ordens aos telefones, e os homens com armas estarão aqui logo. Por que? Porque mesmo que a violência possa ser usada no lugar da conversação, as palavras reterão sempre seu poder. As palavras oferecem os meios ao povo, e para aqueles que escutarão, o anúncio da verdade. E a verdade é que há algo terrivelmente errado com este país, não há? Crueldade e injustiça, intolerância e depressão. E onde uma vez você teve a liberdade a objetar, pensar, e falar, você tem agora os censores e os sistemas de escutas que exigem seu conformidade e que solicitam sua submissão. Como isto aconteceu? Quem é responsável? Certamente há aqueles mais responsáveis do que outros, e serão repreendidos, mas a verdade seja dita outra vez, se você estiver procurando o culpado, você necessita olhar somente em um espelho. Eu sei porque você o fez. Eu sei que você estava receoso. Quem não estaria? Guerra, terror, doença. O medo começou melhor de você, e em seu pânico você tentou acreditar em cada presidente deste país. Que prometeu-lhe a ordem, prometeu-lhe a paz, e tudo que exijiu no retorno era seu consentimento silencioso, obediente.Na última noite eu procurei terminar esse silêncio. Na última noite eu mostrei aquela foto, para lembrar este país do que ele se esqueceu. Há mais de quarenta anos um grande cidadão desejou encaixar para sempre o 25 de outubro em nossa memória. Sua esperança era lembrar o mundo que a justiça e a liberdade são mais do que palavras, são perspectivas. Assim se você não vê nada, se os crimes deste governo permanecessem desconhecidos a você então eu sugeriria a você que passe o 25 de outubro em branco. Mas se você ve o que eu vejo, se você sente como eu me sinto, e se você procurar como eu procuro, então eu peço-lhe para estar ao meu lado em um ano, fora das portas do Parlamento, e juntos, nós daremos a todos um 25 de outubro inesquecível!!!"
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segunda-feira, 18 de maio de 2009
Diálogo com a Esposa Morta
-Você fica ridículacom essa maquiagem.
-Como a caricaturade uma puta.
-Um pequeno toque da mamãedurante a noite.
-A falsa Oféliaafogou-se na banheira.
-Queria que visse a sua cara.Você daria risada.
-Você é a obra-mestra da sua mãe.
-Ah, Cristo.
-Essa bosta de lugar está cheiode flores. Não consigo respirar.
-Sabe, em cima do armário,numa caixa de papel...
-encontrei tudo...
-todas as suas tranqueiras.
-Canetas, chaveiros...
-dinheiro estrangeiro, seu vibradorzinho...
-de tudo.
-Até um colarinho de padre.
-Eu não sabia que você guardava todas essas tranqueiras.
-Mesmo que um marido viva...
-200 anos...
-ele nunca saberá da verdadeira natureza de sua esposa.
-Eu posso atécompreender o universo...
-mas...
-eu nunca descobrirei a verdade sobre você.Jamais.
-Quem era você?
-Lembra-se daquele dia...
-o primeiro dia que estive lá?
-Sabia que não levaria você pra cama se não dissesse...
-O que eu disse?Ah, sim.
-''A minha conta, por favor? Eu preciso ir embora.'
-Lembra?
-Ontem à noite eu...
-eu apaguei as luzesna sua mãe...
-e o lugar todo entrou em pânico.
-Todos os seus hóspedes,como você os chamava...
-Bem, acho que me incluo aí,não é?
-Isso me inclui, não é?
-Por cinco anos, fui maisum hóspede nessa merda de lugar...
-do que marido.
-Com privilégios, é claro.
-E para me ajudar a entender...
-você me deixa Marcel de herança.
-O dublê do marido cujo quarto era o dobro do nosso.
-E sabe de uma coisa?
-Não tive coragem de perguntar a ele...
-e o que você e eu fazíamos era o mesmo que você fazia com ele.
-Nosso casamento não passou de uma trincheira para você...
-e bastou uma lâmina barata e umabanheira cheia d'água para sair dele.
-Sua prostituta barata, vulgar e amaldiçoada.
-Espero que apodreça no inferno.
-Você é mais suja que qualquervaca de rua. Sabe por quê?
-Você sabe por quê?Porque você mentiu.
-Você mentiu para mim,e eu confiei em você.
-Você sabia que estava mentindo.
-Diga que você não mentiu.
-Você não vai dizer nada?
-Não tem nenhuma resposta?Hein?
-Vamos, diga alguma coisa.Sorria, sua putana.
-Vamos, diga algo terno.
-Sorria e diga que estouapenas equivocado.
-Vamos, diga-me...
-sua puta que fode porcos.
-Sua mentirosa desgraçada,asquerosa.
-Sinto muito, eu...
-eu não posso...eu não agüento...
-ver essas coisas todasno seu rosto.
-Você nunca usou maquiagem,toda essa merda.
-Vou tirar isso da sua boca.
-Você sempre odiou batom.
-Meu Deus.
-Desculpe-me.
-Eu não sei por que você fez isso.
-Eu faria o mesmo,se soubesse como.
-Simplesmente não sei...
-tenho de encontrar uma maneira...
-Como a caricaturade uma puta.
-Um pequeno toque da mamãedurante a noite.
-A falsa Oféliaafogou-se na banheira.
-Queria que visse a sua cara.Você daria risada.
-Você é a obra-mestra da sua mãe.
-Ah, Cristo.
-Essa bosta de lugar está cheiode flores. Não consigo respirar.
-Sabe, em cima do armário,numa caixa de papel...
-encontrei tudo...
-todas as suas tranqueiras.
-Canetas, chaveiros...
-dinheiro estrangeiro, seu vibradorzinho...
-de tudo.
-Até um colarinho de padre.
-Eu não sabia que você guardava todas essas tranqueiras.
-Mesmo que um marido viva...
-200 anos...
-ele nunca saberá da verdadeira natureza de sua esposa.
-Eu posso atécompreender o universo...
-mas...
-eu nunca descobrirei a verdade sobre você.Jamais.
-Quem era você?
-Lembra-se daquele dia...
-o primeiro dia que estive lá?
-Sabia que não levaria você pra cama se não dissesse...
-O que eu disse?Ah, sim.
-''A minha conta, por favor? Eu preciso ir embora.'
-Lembra?
-Ontem à noite eu...
-eu apaguei as luzesna sua mãe...
-e o lugar todo entrou em pânico.
-Todos os seus hóspedes,como você os chamava...
-Bem, acho que me incluo aí,não é?
-Isso me inclui, não é?
-Por cinco anos, fui maisum hóspede nessa merda de lugar...
-do que marido.
-Com privilégios, é claro.
-E para me ajudar a entender...
-você me deixa Marcel de herança.
-O dublê do marido cujo quarto era o dobro do nosso.
-E sabe de uma coisa?
-Não tive coragem de perguntar a ele...
-e o que você e eu fazíamos era o mesmo que você fazia com ele.
-Nosso casamento não passou de uma trincheira para você...
-e bastou uma lâmina barata e umabanheira cheia d'água para sair dele.
-Sua prostituta barata, vulgar e amaldiçoada.
-Espero que apodreça no inferno.
-Você é mais suja que qualquervaca de rua. Sabe por quê?
-Você sabe por quê?Porque você mentiu.
-Você mentiu para mim,e eu confiei em você.
-Você sabia que estava mentindo.
-Diga que você não mentiu.
-Você não vai dizer nada?
-Não tem nenhuma resposta?Hein?
-Vamos, diga alguma coisa.Sorria, sua putana.
-Vamos, diga algo terno.
-Sorria e diga que estouapenas equivocado.
-Vamos, diga-me...
-sua puta que fode porcos.
-Sua mentirosa desgraçada,asquerosa.
-Sinto muito, eu...
-eu não posso...eu não agüento...
-ver essas coisas todasno seu rosto.
-Você nunca usou maquiagem,toda essa merda.
-Vou tirar isso da sua boca.
-Você sempre odiou batom.
-Meu Deus.
-Desculpe-me.
-Eu não sei por que você fez isso.
-Eu faria o mesmo,se soubesse como.
-Simplesmente não sei...
-tenho de encontrar uma maneira...
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Cena da Manteiga
Vou lhe contar uns segredos de família.
-O que está fazendo?
-Vou lhe contar sobre a família.
-Uma instituição sagrada...
-suposta a instituir a virtude em selvagens.
-Quero que repita comigo.
-Repita. Diga.
-Uma família sagrada...
-Vamos, diga.
-Vamos. Família sagrada. Igreja de bons cidadãos.
-Igreja...
-de bons cidadãos.
-Diga. Diga.
-As crianças são torturadas até contarem a primeira mentira.
-As crianças...
-são torturadas...
-Onde o mundo é violado pela repressão.
-Onde a liberdade...
-é assassinada...
-Onde a liberdade é assassinada pelo egotismo.
-Família.
-Sua...
-Sua...
-foda...
-Sua foda...
-de família.
-Sua família fodida.
-Ah, meu Deus!
-Jesus.
-Merda!
-O que está fazendo?
-Vou lhe contar sobre a família.
-Uma instituição sagrada...
-suposta a instituir a virtude em selvagens.
-Quero que repita comigo.
-Repita. Diga.
-Uma família sagrada...
-Vamos, diga.
-Vamos. Família sagrada. Igreja de bons cidadãos.
-Igreja...
-de bons cidadãos.
-Diga. Diga.
-As crianças são torturadas até contarem a primeira mentira.
-As crianças...
-são torturadas...
-Onde o mundo é violado pela repressão.
-Onde a liberdade...
-é assassinada...
-Onde a liberdade é assassinada pelo egotismo.
-Família.
-Sua...
-Sua...
-foda...
-Sua foda...
-de família.
-Sua família fodida.
-Ah, meu Deus!
-Jesus.
-Merda!
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segunda-feira, 9 de março de 2009
Desculpe!
Não é esse o meu ofício.
Não pretendo governar ou conquistar quem quer que seja.
Gostaria de ajudar - se possível -
judeus, o gentio ... negros ... brancos.
Todos nós desejamos ajudar uns aos outros.
Os seres humanos são assim.
Desejamos viver para a felicidade do próximo -
não para o seu infortúnio.
Por que havemos de odiar ou desprezar uns aos outros?
Neste mundo há espaço para todos.
A terra, que é boa e rica,
pode prover todas as nossas necessidades.
O caminho da vida pode ser o da liberdade e da beleza, porém nos extraviamos.
A cobiça envenenou a alma do homem ...
levantou no mundo as muralhas do ódio ...
e tem-nos feito marchar a passo de ganso para a miséria e os morticínios.
Criamos a época da velocidade, mas nos sentimos enclausurados dentro dela.
A máquina, que produz abundância, tem-nos deixado em penúria. Nossos conhecimentos fizeram-nos céticos; nossa inteligência, empedernidos e cruéis.
Pensamos em demasia e sentimos bem pouco.
Mais do que máquinas, precisamos de humanidade.
Mais do que de inteligência, precisamos de afeição e doçura.
Sem essas duas virtudes,
a vida será de violência e tudo será perdido.
A aviação e o rádio aproximaram-se muito mais. A próxima natureza dessas coisas é um apelo eloqüente à bondade do homem ... um apelo à fraternidade universal ... à união de todos nós. Neste mesmo instante a minha voz chega a milhões de pessoas pelo mundo afora ... milhões de desesperados, homens, mulheres, criancinhas ... vítimas de um sistema que tortura seres humanos e encarcera inocentes.
Aos que me podem ouvir eu digo: "Não desespereis!" A desgraça que tem caído sobre nós não é mais do que o produto da cobiça em agonia ... da amargura de homens que temem o avanço do progresso humano.
Os homens que odeiam desaparecerão, os ditadores sucumbem e o poder que do povo arrebataram há de retornar ao povo.
E assim, enquanto morrem os homens,
a liberdade nunca perecerá.
Soldados! Não vos entregueis a esses brutais ... que vos desprezam ... que vos escravizam ... que arregimentam as vossas vidas ... que ditam os vossos atos, as vossas idéias e os vossos sentimentos! Que vos fazem marchar no mesmo passo, que vos submetem a uma alimentação regrada, que vos tratam como um gado humano e que vos utilizam como carne para canhão! Não sois máquina! Homens é que sois! E com o amor da humanidade em vossas almas! Não odieis! Só odeiam os que não se fazem amar ... os que não se fazem amar e os inumanos.
Soldados! Não batalheis pela escravidão! lutai pela liberdade!
No décimo sétimo capítulo de São Lucas é escrito que o Reino de Deus está dentro do homem - não de um só homem ou um grupo de homens, mas dos homens todos! Estás em vós!
Vós, o povo, tendes o poder - o poder de criar máquinas.
O poder de criar felicidade!
Vós, o povo, tendes o poder de tornar esta vida livre e bela ...
de fazê-la uma aventura maravilhosa.
Portanto - em nome da democracia - usemos desse poder, unamo-nos todos nós. Lutemos por um mundo novo ...
um mundo bom que a todos assegure o ensejo de trabalho,
que dê futuro à mocidade e segurança à velhice.
É pela promessa de tais coisas que desalmados têm subido ao poder. Mas, só mistificam! Não cumprem o que prometem. Jamais o cumprirão! Os ditadores liberam-se, porém escravizam o povo. Lutemos agora para libertar o mundo, abater as fronteiras nacionais, dar fim à ganância, ao ódio e à prepotência. Lutemos por um mundo de razão, um mundo em que a ciência e o progresso conduzam à ventura de todos nós.
Soldados, em nome da democracia, unamo-nos.
Hannah, estás me ouvindo? Onde te encontres, levanta os olhos! Vês, Hannah? O sol vai rompendo as nuvens que se dispersam! Estamos saindo da treva para a luz! Vamos entrando num mundo novo - um mundo melhor, em que os homens estarão acima da cobiça, do ódio e da brutalidade. Ergues os olhos, Hannah! A alma do homem ganhou asas e afinal começa a voar. Voa para o arco-íris, para a luz da esperança.
Ergue os olhos, Hannah!
Ergue os olhos!
Não é esse o meu ofício.
Não pretendo governar ou conquistar quem quer que seja.
Gostaria de ajudar - se possível -
judeus, o gentio ... negros ... brancos.
Todos nós desejamos ajudar uns aos outros.
Os seres humanos são assim.
Desejamos viver para a felicidade do próximo -
não para o seu infortúnio.
Por que havemos de odiar ou desprezar uns aos outros?
Neste mundo há espaço para todos.
A terra, que é boa e rica,
pode prover todas as nossas necessidades.
O caminho da vida pode ser o da liberdade e da beleza, porém nos extraviamos.
A cobiça envenenou a alma do homem ...
levantou no mundo as muralhas do ódio ...
e tem-nos feito marchar a passo de ganso para a miséria e os morticínios.
Criamos a época da velocidade, mas nos sentimos enclausurados dentro dela.
A máquina, que produz abundância, tem-nos deixado em penúria. Nossos conhecimentos fizeram-nos céticos; nossa inteligência, empedernidos e cruéis.
Pensamos em demasia e sentimos bem pouco.
Mais do que máquinas, precisamos de humanidade.
Mais do que de inteligência, precisamos de afeição e doçura.
Sem essas duas virtudes,
a vida será de violência e tudo será perdido.
A aviação e o rádio aproximaram-se muito mais. A próxima natureza dessas coisas é um apelo eloqüente à bondade do homem ... um apelo à fraternidade universal ... à união de todos nós. Neste mesmo instante a minha voz chega a milhões de pessoas pelo mundo afora ... milhões de desesperados, homens, mulheres, criancinhas ... vítimas de um sistema que tortura seres humanos e encarcera inocentes.
Aos que me podem ouvir eu digo: "Não desespereis!" A desgraça que tem caído sobre nós não é mais do que o produto da cobiça em agonia ... da amargura de homens que temem o avanço do progresso humano.
Os homens que odeiam desaparecerão, os ditadores sucumbem e o poder que do povo arrebataram há de retornar ao povo.
E assim, enquanto morrem os homens,
a liberdade nunca perecerá.
Soldados! Não vos entregueis a esses brutais ... que vos desprezam ... que vos escravizam ... que arregimentam as vossas vidas ... que ditam os vossos atos, as vossas idéias e os vossos sentimentos! Que vos fazem marchar no mesmo passo, que vos submetem a uma alimentação regrada, que vos tratam como um gado humano e que vos utilizam como carne para canhão! Não sois máquina! Homens é que sois! E com o amor da humanidade em vossas almas! Não odieis! Só odeiam os que não se fazem amar ... os que não se fazem amar e os inumanos.
Soldados! Não batalheis pela escravidão! lutai pela liberdade!
No décimo sétimo capítulo de São Lucas é escrito que o Reino de Deus está dentro do homem - não de um só homem ou um grupo de homens, mas dos homens todos! Estás em vós!
Vós, o povo, tendes o poder - o poder de criar máquinas.
O poder de criar felicidade!
Vós, o povo, tendes o poder de tornar esta vida livre e bela ...
de fazê-la uma aventura maravilhosa.
Portanto - em nome da democracia - usemos desse poder, unamo-nos todos nós. Lutemos por um mundo novo ...
um mundo bom que a todos assegure o ensejo de trabalho,
que dê futuro à mocidade e segurança à velhice.
É pela promessa de tais coisas que desalmados têm subido ao poder. Mas, só mistificam! Não cumprem o que prometem. Jamais o cumprirão! Os ditadores liberam-se, porém escravizam o povo. Lutemos agora para libertar o mundo, abater as fronteiras nacionais, dar fim à ganância, ao ódio e à prepotência. Lutemos por um mundo de razão, um mundo em que a ciência e o progresso conduzam à ventura de todos nós.
Soldados, em nome da democracia, unamo-nos.
Hannah, estás me ouvindo? Onde te encontres, levanta os olhos! Vês, Hannah? O sol vai rompendo as nuvens que se dispersam! Estamos saindo da treva para a luz! Vamos entrando num mundo novo - um mundo melhor, em que os homens estarão acima da cobiça, do ódio e da brutalidade. Ergues os olhos, Hannah! A alma do homem ganhou asas e afinal começa a voar. Voa para o arco-íris, para a luz da esperança.
Ergue os olhos, Hannah!
Ergue os olhos!
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Excertos
domingo, 1 de março de 2009
Answer
Quantas vidas vivemos?
Quantas vezes morremos?
Dizem que todos nós perdemos 21 gramasno momento exato de nossa morte.
Todos.
Quanto cabe em 21 gramas?
Quanto é perdido?
Quando perdemos 21 gramas?
Quanto se vai com eles?
Quanto é ganho?
Quanto é ganho?
21 gramas.
O peso de cinco moedas de cinco centavos,
o peso de um beija-flor.
Uma barra de chocolate.
Quanto pesam 21 gramas?
Quando os resíduos arderam em chamas,os milharais ficaram verdes de novo
Quantas vezes morremos?
Dizem que todos nós perdemos 21 gramasno momento exato de nossa morte.
Todos.
Quanto cabe em 21 gramas?
Quanto é perdido?
Quando perdemos 21 gramas?
Quanto se vai com eles?
Quanto é ganho?
Quanto é ganho?
21 gramas.
O peso de cinco moedas de cinco centavos,
o peso de um beija-flor.
Uma barra de chocolate.
Quanto pesam 21 gramas?
Quando os resíduos arderam em chamas,os milharais ficaram verdes de novo
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quarta-feira, 11 de fevereiro de 2009
- Olá!
- Oi.
- Posso lhe dizer uma coisa?
- Claro, diga o que quiser.
- Vai demorar.
- Tenho tempo de sobra.
- Conheci umas pessoas.
- Que pessoas?
- Duas pessoas. Elas se amavam. A moça era muito jovem,tinha uns 17 ou 18 anos, acho. O rapaz era bem mais velho. Era bruto e rude. E ela era muito bonita, sabe?
- Sei.
- Eles faziam de tudo uma aventura, ela adorava isso. Uma simples ida ao mercadojá era uma aventura. Sempre riam de bobagens,ele adorava vê-la sorrir. Não se importavam com o resto, porque só queriam uma coisa... Ficar sempre juntos.
- Parece que eram muito felizes.
- Sim, eles eram felizes. E ele... a amava mais doque... julgava ser possível. Não suportava ficar longe dela enquanto trabalhava. Então ele largava o emprego. Só para ficar com ela em casa. Quando faltava dinheiro,ele arrumava outro trabalho. Depois ele se demitia novamente. Mas daí ela começou a se preocupar.
- Com o quê?
- Com a falta de dinheiro. Por não saber quando chegaria o outro cheque.
- Sim, sei o que é isso.
- Daí ele começou a se atormentar.
- Como assim?
- Por ter que trabalhar para sustentá-la... mas não suportavaficar longe dela também.
- Entendi.
- Quanto mais ele ficavalonge dela, mais enlouquecia. Até que ele enlouqueceu de verdade. Ele começou a imaginar todo o tipo de coisas.
- Que coisas?
- Que ela começara a sair... com outros quando elenão estava em casa. Quando voltava, ele a acusava de ter ficado com outros. Ele gritava e quebrava tudo no trailer.
- No trailer?
- Sim, eles moravam num trailer.
- Desculpe-me, senhor, mas não esteve aqui ontem? Não quero ser intrometida.
- Não.
- Pensei ter reconhecido sua voz.
- Não, não era eu.
- Sei. Continue.
- Então ele começou a beber muito. Passou a voltar tarde para casa para testá-la.
- Como assim, testá-la?
- Para ver se ela sentia ciúmes.
- Ele queria que ela sentisse ciúme, mas ela não sentia. Só se preocupava com ele, oque o enfurecia ainda mais.
- Por quê?
- Porque pensava que seela não sentia ciúmes... não se importava com ele. E os ciúmes seriam umsinal de que ela o amava. Então numa noite... Ela contou que estava grávida. De uns 3 ou 4 meses. Ele não sabia. E, então, tudo mudou. Ele parou de beber econseguiu um emprego fixo. Ele se convenceu do amor,pois ela levava um filho dele. Ele ia se dedicar inteiramente a lhes dar um lar. Mas aconteceu uma coisa estranha.
- O quê?
- No início ele não reparou,mas ela havia mudado. Desde que a criança nasceu,tudo em volta a deixava irritada. Até o bebê pareciauma injustiça para ela. Ele se esforçava para agradá-la. Dava-lhe presentes... Levava-a para jantar toda semana... Mas nada a satisfazia. Durante dois anos ele fez tudo para que voltasse a ser como era. Finalmente, acabou entendendo que isso seria impossível. Daí ele voltou a beber e as coisas pioraram.
Quando voltava tarde, ela não ficava mais preocupada... nem com ciúmes. Ela só ficava furiosa. Ela o acusou de tê-la raptado só para fazer um filho. Dizia que queria fugir, que só sonhava com isso. Via-se correndo a noite nua pelos campos, sempre a correr. Sempre que estava prestes afugir, ele aparecia e a impedia. Ele sempre chegava para impedi-la. Quando ela lhe contava esses sonhos, ele acreditava. Sabia que se não a impedisse, ela fugiria para sempre.
Daí ele amarrou um guizo ao tornozelo dela... para ouvir se ela tentassese levantar da cama à noite. Mas aprendeu a abafar o som com a meia para sair no meio da noite. Um dia a meia caiu enquantoela tentava fugir pela estrada. Ele a pegou e a prendeu no fogão com um cinto. Deixou-a ali e voltou a se deitar. Ouviu-a gritar sem se mexer. Depois ouviu o filho aos gritos. Ele admirou-se de nãoquerer saber de mais nada. Ele só queria dormir. E pela primeira vez, ele quis ficar bem longe dela... Perdido num país enorme onde ninguém o conhecesse. Num lugar sem idiomas... e sem ruas. Ele sonhou com esse lugar sem saber o nome.
E quando acordou, ele estava num incêndio. Chamas azuis queimavam os lençóis da cama. Correu para acudir os únicos dois que ele amava. Mas eles tinham sumido. Seus braços estavam pegando fogo. E ele saiu de casa e... rolou-se no chão molhado. Daí ele correu. Ele nunca olhou para trás para ver fogo. Só correu. Correu até o sol nascer. Até não poder mais. E quando o Sol se pôs, ele tornou a correr. Ele correu assim por 5 dias. Até que, sem deixar sinais... ele desapareceu.
- Oi.
- Posso lhe dizer uma coisa?
- Claro, diga o que quiser.
- Vai demorar.
- Tenho tempo de sobra.
- Conheci umas pessoas.
- Que pessoas?
- Duas pessoas. Elas se amavam. A moça era muito jovem,tinha uns 17 ou 18 anos, acho. O rapaz era bem mais velho. Era bruto e rude. E ela era muito bonita, sabe?
- Sei.
- Eles faziam de tudo uma aventura, ela adorava isso. Uma simples ida ao mercadojá era uma aventura. Sempre riam de bobagens,ele adorava vê-la sorrir. Não se importavam com o resto, porque só queriam uma coisa... Ficar sempre juntos.
- Parece que eram muito felizes.
- Sim, eles eram felizes. E ele... a amava mais doque... julgava ser possível. Não suportava ficar longe dela enquanto trabalhava. Então ele largava o emprego. Só para ficar com ela em casa. Quando faltava dinheiro,ele arrumava outro trabalho. Depois ele se demitia novamente. Mas daí ela começou a se preocupar.
- Com o quê?
- Com a falta de dinheiro. Por não saber quando chegaria o outro cheque.
- Sim, sei o que é isso.
- Daí ele começou a se atormentar.
- Como assim?
- Por ter que trabalhar para sustentá-la... mas não suportavaficar longe dela também.
- Entendi.
- Quanto mais ele ficavalonge dela, mais enlouquecia. Até que ele enlouqueceu de verdade. Ele começou a imaginar todo o tipo de coisas.
- Que coisas?
- Que ela começara a sair... com outros quando elenão estava em casa. Quando voltava, ele a acusava de ter ficado com outros. Ele gritava e quebrava tudo no trailer.
- No trailer?
- Sim, eles moravam num trailer.
- Desculpe-me, senhor, mas não esteve aqui ontem? Não quero ser intrometida.
- Não.
- Pensei ter reconhecido sua voz.
- Não, não era eu.
- Sei. Continue.
- Então ele começou a beber muito. Passou a voltar tarde para casa para testá-la.
- Como assim, testá-la?
- Para ver se ela sentia ciúmes.
- Ele queria que ela sentisse ciúme, mas ela não sentia. Só se preocupava com ele, oque o enfurecia ainda mais.
- Por quê?
- Porque pensava que seela não sentia ciúmes... não se importava com ele. E os ciúmes seriam umsinal de que ela o amava. Então numa noite... Ela contou que estava grávida. De uns 3 ou 4 meses. Ele não sabia. E, então, tudo mudou. Ele parou de beber econseguiu um emprego fixo. Ele se convenceu do amor,pois ela levava um filho dele. Ele ia se dedicar inteiramente a lhes dar um lar. Mas aconteceu uma coisa estranha.
- O quê?
- No início ele não reparou,mas ela havia mudado. Desde que a criança nasceu,tudo em volta a deixava irritada. Até o bebê pareciauma injustiça para ela. Ele se esforçava para agradá-la. Dava-lhe presentes... Levava-a para jantar toda semana... Mas nada a satisfazia. Durante dois anos ele fez tudo para que voltasse a ser como era. Finalmente, acabou entendendo que isso seria impossível. Daí ele voltou a beber e as coisas pioraram.
Quando voltava tarde, ela não ficava mais preocupada... nem com ciúmes. Ela só ficava furiosa. Ela o acusou de tê-la raptado só para fazer um filho. Dizia que queria fugir, que só sonhava com isso. Via-se correndo a noite nua pelos campos, sempre a correr. Sempre que estava prestes afugir, ele aparecia e a impedia. Ele sempre chegava para impedi-la. Quando ela lhe contava esses sonhos, ele acreditava. Sabia que se não a impedisse, ela fugiria para sempre.
Daí ele amarrou um guizo ao tornozelo dela... para ouvir se ela tentassese levantar da cama à noite. Mas aprendeu a abafar o som com a meia para sair no meio da noite. Um dia a meia caiu enquantoela tentava fugir pela estrada. Ele a pegou e a prendeu no fogão com um cinto. Deixou-a ali e voltou a se deitar. Ouviu-a gritar sem se mexer. Depois ouviu o filho aos gritos. Ele admirou-se de nãoquerer saber de mais nada. Ele só queria dormir. E pela primeira vez, ele quis ficar bem longe dela... Perdido num país enorme onde ninguém o conhecesse. Num lugar sem idiomas... e sem ruas. Ele sonhou com esse lugar sem saber o nome.
E quando acordou, ele estava num incêndio. Chamas azuis queimavam os lençóis da cama. Correu para acudir os únicos dois que ele amava. Mas eles tinham sumido. Seus braços estavam pegando fogo. E ele saiu de casa e... rolou-se no chão molhado. Daí ele correu. Ele nunca olhou para trás para ver fogo. Só correu. Correu até o sol nascer. Até não poder mais. E quando o Sol se pôs, ele tornou a correr. Ele correu assim por 5 dias. Até que, sem deixar sinais... ele desapareceu.
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